8 de mar de 2017

Até o Mais Desatento Observador

Essa era uma das frases favoritas do meu professor favorito. Não era dele - ele dizia ser de outro famoso físico, mas eu não lembro quem.

Olhe o gráfico nesta matéria:


Diz o autor da matéria indicada que esses pontos mostram como a troca de presidente, resultante do impeachment, piorou tudo ao invés de melhorar.

Bom.

De acordo com o gráfico, a variação do PIB (ou seja, quanto muda no PIB) caiu consistentemente até meados de 2014. Houve episódios de inversão da derivada segunda (ou seja, da direção do crescimento), mas essa variação nunca resistiu: um ou dois períodos depois, a variação do PIB voltava a cair, até se tornar negativa, quando o PIB deixou de crescer e passou a encolher.

Qualquer um que entenda um pouco de Keynes reconhece nos episódios de recuperação a injeção de dinheiro na economia a custa de empréstimos, que ocorreram às vésperas das eleições presidenciais de 2014.

A intensidade do estrago (especialmente no final de 2014 - veja o pico de 2013, causa do afogamento subsequente) foi tamanha que houve uma queda abrupta (ou seja, uma parcela significativa do PIB foi evaporou quase instantaneamente) em 2014, com o gasto público mal-e-mal segurando as pontas.

Quanto as eleições passaram, e as pedaladas pararam de surtir efeito, a conta veio de supetão. Foi quando tinha gente se matando por fechar empresa, as demissões em massa começaram, empresas faliram e tal. Foi quando "o diabo" feito para se manter no poder causou "o diabo" na vida do cidadão, no mundo real.

Um país deste tamanho, com centenas de milhões de pessoas, não tem seu rumo alterado da noite para o dia. É um fato inescapável. Nada muda tão rápido, a não ser por meio de malabarismos como o que causou os picos de 2013 e 2014. Mesmo essas ações tomaram vários meses até seus efeitos positivos serem observados, e depois se converterem em evaporação da riqueza nacional.

A prova de que a responsabilidade está toda no governante anterior pode ser obtida deste fato: as únicas ações tomadas pelo novo ocupante do cargo se resumiam em trocar a equipe de governo. O primeiro projeto significativo aprovado no Congresso (a PEC do controle de gastos) ocorreu em dezembro de 2016, na véspera de 2017, no fim de 2016 e depois do impeachment.

Absolutamente 100% do que foi feito até então seguiu o orçamento aprovado para 2016 pelo mandatário e equipe anterior.

Logo, o que o gráfico mostra é a simples inércia das forças que atuaram ANTES do impeachment.

Até o mais desatento observador é capaz de ver isso. :-D

E se alguém não vê isso?

Divirta-se ponderando as respostas! ;-)

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