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27 de out. de 2015

Repaginação

Com o recente anúncio da Microsoft de adotar Software Livre e passar a oferecer uma distro Linux, eu passei a entender que a missão deste blog chegou ao fim.

Conforme eu anunciei na abertura deste espaço, ele "vai tratar de soluções de problemas típicos do mundo dos negócios 100% baseadas em software aberto." A minha intenção era dar um ponto de apoio àqueles profissionais que desejam inovar ou gerar valor com SL, porque eu sentia que havia muita ideologia, muita opinião, mas poucas respostas que ajudassem a pagar o leitinho das crianças.

Não durei muito, admito alegremente. Em poucos anos SL passou de uma promessa a uma realidade e depois à norma. Hoje, qualquer empresa ou governo que se preze está investindo seriamente em SL. E porquê? Oras, porque SL tende a ser melhor e a resolver melhor os problemas que todos temos.

Vi muita coisa mudar. Vi a Microsoft percorrer o caminho - ignorância, desprezo, desqualificação, desespero e adoção. Vi o meu idolatrado SAS percorrer o mesmo caminho por causa do Pentaho! E olhe que eu sempre volto ao site do SAS para aprender mais. Essa relação SAS-Pentaho é, para mim, a maior prova que BI não é TI, mas know-how.

Mas estou digredindo. De volta à vaca fria, entendo que a missão deste blog foi esvaziada pela realidade, e uma dessas evidências é que eu não tenho achado tópicos para mostrar, que já não tenham sido abordados por outros canais. Eu sempre me esforço para não copiar ou repostar coisas, e busco criar conteúdos originais (relevância leva à liderânçia. Kkkk)

Por isso, hoje, 27 de outubro de 2015, estou declarando o fim da antiga vida deste blog, e o primeiro dia de sua nova etapa.

Free as in Free Speach, Not Free Beer

Em português não temos esse problema, de misturar livre com grátis, mas em inglês esse é o primeiro ponto de todo mundo que fala em SL: livre, não gratuito. Apesar de muitos SL serem totalmente gratuitos, e o restante sempre possuir uma versão disponivel gratuitamente para download, a força do SL vem de ser livre, aberto, disponível, não de ser gratuito.

Eu sou um liberal. Não sei ainda se posso ser rotulado, também, de conservador, mas com certeza eu me coloco à direita no espectro político. Eu valorizo o indivíduo, e acredito que todos fomos criados livres para cuidarmos de nossa vida. Acredito que o Estado tem seu papel, mas que deve ser o menor possível e interferir o mínimo possível na vida do pagador de impostos.

Então, a partir de hoje eu repagino este blog como um espaço mais voltado para os aspectos de liberdade do SL, e menos nos aspectos tecnológicos e comerciais. Não estou dizendo que vou blogar mais, mas que quando o fizer, não será para mostrar a vantagem técnica/comercial de SL. Será para falar de todo o restante...

20 de abr. de 2013

Pentaho na Prática!






Visite o post de lançamento no GeekBI para conhecer um pouco mais e baixar um capítulo de degustação.

10 de ago. de 2012

Provando o Próprio Remédio

Há algum tempo eu criei um projeto aberto de BI chamado ApacheBI. É uma solução básica de BI para tratar e monitorar os logs do Apache. Recentemente uma pessoa da lista do Pentaho Brasil perguntou sob qual licença ele está.

Ahn? Licença? Ppptttuuuuuiiiiiii....

Só então eu me dei conta que meu trabalho, publicado no SourceForge, aberto e livre, não tinha nenhum tipo de licença!

Fácil de resolver: é só escolher uma.

...
....
.....

E qual escolher???

Ok, isso eu já sei: livre para usar, modificar, distribuir e distribuir modificado.

Eu também não proíbo ninguém de vender nada com o meu projeto embutido - fico feliz se conseguir usá-lo para ganhar dinheiro. Pensando um pouco, eu não quero que ele venda o meu trabalho como se fosse dele. Logo, tudo bem ganhar dinheiro desde que não seja cobrando por algo que outro fez. Eu não ligo se você montar um BI Server, implantar meu projeto e cobrar por ter montado e implantado a solução. Mas vou ficar bravo pacas se você colocar o meu projeto num pendrive e vender tudo por muito mais que o pendrive vale. Não foi você quem fez, quem disse que pode usurpar meu esforço e cobrar por ele???

E o que mais? Com certeza eu vou gostar de ver meu nome (e do Edu) nos créditos de um sistema que use o ApacheBI. Logo, eu quero que quem use saiba de onde veio. E quero que o cliente que comprar ou baixar qualquer coisa com o ApacheBI embutido possa acessar o mesmo código que deu origem ao produto.

Por outro lado, se o integrador adicionar know-how à minha solução antes de vendê-la, eu não vou obrigá-lo a mostrar o segredo dele. Se ele quiser abrir a extensão, fine. Se não quiser, fine too. Afinal, eu posso decidir sobre o meu trabalho, em acordo com o Edu, mas não sobre o de outrem.

Eu apreciaria imensamente receber dicas, sugestões e patchs para melhoria do ApacheBI, mas se alguém o alterar e não quiser mostrar, ok. Não acho certo forçar ninguém a nada.

Resumindo, preciso de uma licença que dê:
  1. As quatro liberdades básicas - uso, distribuição, alteração, distribuição da alteração.
  2. Obrigatoriedade de mencionar que embute o ApacheBI.
  3. Obrigatoriedade de informar onde achar o código-fonte.
  4. Liberdade para empacotar o ApacheBI com código proprietário e fechar a solução.
E aí, qual licença dá isso?

15 de jun. de 2012

Software Livre na Secretaria de Saúde do Pará

Acabo de ler a notícia que a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará construiu uma solução de BI com Pentaho para análise georreferenciada dos dados coletados pelo Ministério da Saúde. Eu fiquei sabendo disso pelo LinkedIn, que divulgou o post no blog do Márcio Vieira, da Ambiente Livre (que é a empresa que treinou esse pessoal.)

Eu comento mais sobre o "BI" desse caso no meu blog dedicado ao assunto, o GeekBI.

7 de mar. de 2012

Precisamos Explodir a Enterprise


Essa notícia  é um pouco antiga:

Software Livre tem 3% de Participacao no Mercado Nacional
A participação do software livre no mercado nacional de software e serviços é de 2,95%, segundo a 7ª edição da pesquisa “Mercado Brasileiro de Software — Panorama e Tendências” encomendada pela Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) e realizada pela IDC. O que equivale a US$ 0,5 bilhão

O estudo aponta que após uma década de apoio ostensivo de muitos representantes da gestão pública no país, em especial do governo federal, e bilhões de reais aplicados neste modelo, o desempenho não foi satisfatório.

“A pesquisa confirma o que os empresários têm alertado ao governo há anos sem serem ouvidos: o modelo de software livre não produz inovação, demanda mais mão-de-obra, remunera menos toda a cadeia produtiva, não é alto sustentável e seria praticamente inexistente em termos de PIB sem o governo como seu protagonista. Não entendemos a quem interessa insistir em mais uma década com uma estratégia que não tem resultados macro-econômicos relevantes, consome recursos milionários e ainda doa conhecimento estratégico em TI produzido com recursos públicos para concorrentes internacionais, que representam mais de 50% dos downloads do portal do software público”, Gérson Schmitt, presidente da Abes, em comunicado oficial enviado à imprensa.

Segundo a pesquisa, o mercado brasileiro de software e serviços cresceu 21,3% em 2010, e movimentou cerca de US$ 19,04 bilhões.
O grifo é meu. Essa pesquisa foi feita pela Abes. A Abes é uma organização muito importante para o Brasil, que representa os interesses das empresas de software, que emprega milhares de brasileiros e presta grandes serviços a todos nós. Por exemplo, ela é uma das principais empresas brasileiras na ação contra a pirataria de software, uma praga que destrói valor, que joga no lixo o trabalho de muita gente.


A declaração do presidente da Abes é muito interessantes. Ele diz, entre outras coisas, que SL:
  • Não produz inovação;
  • Demanda mais mão-de-obra;
  • Remunera menos toda a cadeia produtiva.
O que ele fala é verdade, mas (e esse é um grande mas) eu conheço o mercado de SL e sei que esses fatos não se prestam à interpretação crua.

Vamos revê-los.

Não produz inovação


É razoável supor que a inovação a que o presidente da Abes se refere seja, no mínimo, a inovação como entendida por empresas que produzem software - inovaçao em software. Criação e desenvolvimento de novos produtos.

Sob esse ponto de vista, eu acredito que ele está 100% correto. Software Livre dificilmente inspira uma empresa a criar algo novo, já que a venda de licença e serviços será mais complicada. Melhor exemplo é a Apple, que volta e meia é criticada por comunidades de SL dizendo que usaram e abusaram, e devolveram muito pouco (a mesma crítica que a Canonical recebe da comunidade Debian.

Demanda mais mão-de-obra

Como ele avalia isso? Não consigo imaginar, e não estou em posição de ir lá perguntar a ele. Mas posso sugerir uma hipótese: 100% de um departamento de TI que usa 100% de Windows resolve adotar, sei lá, RedHat. Esse departamente vai precisar contratar no mínimo alguns profissionais a mais. No futuro esse departamento pode treinar seus outros empregados para dar suporte aos novos produtos, mas com certeza precisará de mais gente, e hoje. Ou seja, usar SL significou aumentar o quadro.

Outra hipótese é que essa mudança se dá por conta de crescimento: ao invés de continuar com o que tem, resolvem investir em SL. Novos empregados, que seriam contratados de qualquer forma, contratação motivada pelo simples crescimento, vão ser contratados para esses novos produtos. Há menos mão-de-obra para SL que para outros. Logo, os salários são "diferenciados", o risco de turn-over aumenta, tudo se complica.

Eu diria que ele também está certo nesse caso, ainda que não posso dar mais certeza que no item anterior, já que eu tenha apenas um chute razoável sobre o critério aqui.

Remunera menos toda a cadeia produtiva

De novo, concordo com ele. Software Livre não faz parte da cadeia produtiva da indústria de software proprietário, e usá-lo significa esvaziar essa cadeia. São menos pessoas trabalhando nessa cadeia.

Será?

Vejamos de novo os argumentos, aproveitando o conhecimento que eu tenho sobre o mercado de Softare Livre.

Não produz inovação ?

Veja esses links:
O mais legal é que o artigo original saiu em junho de 2011, um pouco antes da pesquisa da Abes.

Em outras palavras, SL livre é o petróleo da inovação do mercado de capitais norte-americano na década de 2000. Sua existência mudou as regras do jogo. Me pergunto como deve ser esse cenário no Brasil.

A Pentaho Corporation foi fundada para unificar projetos de SL (dai o nome) e ganhar dinheiro vendendo Software Livre e serviços. O impacto do Pentaho foi tão grande que empresas de software proprietário lançaram versões SoHo e Cloud gratuitas (como a líder do mercado MicroStrategy.)
  • A comunidade de SL do Pentaho desenvolveu sua parte do bolo, também: um português que volta e meia nos visita, o grande Pedro Alves, codificou um framework de dashboards tão bom que a própria Pentaho o adotou ao invés de criar o seu.
  • Tom Barber e equipe estão desenvolvendo um novo visualizador OLAP, que deve substituir o jPivot completamente em breve.

A partir do trabalho de seu fundador, Miguel Valdes Faura, no OW2, a empresa Bonitasoft criou uma solução de automação de BPM (um BPMS) que praticamente definiu o padrão dessa solução no mercado de SL. Tamanho foi o sucesso desse conceito que grandes empresas de SL seguiram a idéia e lançaram concorrentes.

Finalmente, cheque meu post  Calibre sua Biblioteca.

Demanda mais mão-de-obra?

Vejam meu post Salários de especialistas Linux em alta nos EUA. Lido a frio, o comentário do presidente da Abes parece depor contra ele: não é bom aumentar a demanda por mão-de-obra? Isso não significa mais empregos? Como nós não temos a informação sobre o contexto no qual ele se expressou, não podemos seguir essa linha de raciocínio.

Por outro lado, pense um pouco: se é correta a hipótese de SL não se adequa ao mercado "clássico" de software, então estamos falando de um mercado novo, com enorme potencial de crescimento, tanto em empregos quanto em faturamento.

Existe uma empresa especialista em SL (no Brasil) que tem uma equipe de TI própria (para suas próprias necessidades) menor que a média da categoria. Eles conseguem ter um quadro menor porque usam 100% de SL para tudo. A experiência deles mostra que, embora não seja óbvio nem fácil fazer, usar SL e jogar pesado com RH tem um impacto sensível no quadro de empregados e no faturamento da empresa. Na experiência deles, seu quadro de TI tem proporcionalmente menos mão-de-obra que as outras empresa do mesmo porte e negócio. (Eu preciso conseguir autorização para publicar esse caso - é bom demais! Mas eles não querem chamar a atenção!!!)

Finalmente, qualquer adoção de novos softwares (e não apenas mais do mesmo), livre ou proprietário, traz embutida a pressão por mais mão-de-obra. O que diferencia uma pressão da outra?

Remunera menos toda a cadeia produtiva?

Que cadeia produtiva? Como comparar a cadeia produtiva de SL, que é simplesmente diferente da de SP?

Veja só isso:
  1. Uma empresa de pequeno-médio porte não pode arcar com custos típicos de soluções de BI.
  2. Uma empresa de SL oferece a esse mercado pequeno-médio soluções de BI mais em conta, usando Pentaho, com desenvolvimento, capacitação e suporte.
  3. Seus profissionais são treinados por outras empresas, de pequeno-médio porte, que vendem treinamento na plataforma e em BI.
  4. Essas empresas de treinamento desenvolvem ou compram o material de curso e...
  5. ...Para isso contratam profissionais, CLT ou freelancers.
  6. Esses profissionais investem na sua própria educação, para se manter atualizados e manter atualizados os cursos.
Isso não é só um exercício de imaginação! Busquem na web por suporte e treinamento em Software Livre! Veja quantas pessoas e empresas existem, no Brasil, nesse mercado.

Empresas como a Pentaho, a Bonitasoft, RedHat, Canonical, Compieri, EnterpriseDB e tantas outras possuem suas próprias cadeias de fornecimento, nas quais são empregadas muitas pessoas, e - mais que isso - atendem segmentos que tem menos capacidade de arcar com a estrutura e custos requeridos por muitos softwares proprietários e que são indispensáveis hoje em dia.

É, pura e simplesmente, um outro mundo, novo, com muito espaço para crescer.

Só para constar: a Bonitasoft com certeza está demandando mais mão-de-obra.  :-)

Conclusão

A Abes é uma grande organização (no sentido de importância e seriedade, não no tamanho), a serviços de empresas sérias e competentes, de um mercado importante e vibrante, no Brasil e no mundo. Ela existe no contexto da produção de software tal como um carro produzido em uma indústria de automóveis, que tem seu próprio orgão de apoio (a ANFAVEA.) Como um brasileiro cioso da responsabilidade que todo governante tem em gastar bem o nosso dinheiro, é esperado, é até uma postura moralmente imposta, que ele faça essas perguntas. Tem meu total apoio e fico feliz que ele as tenha feito.

Porém, como destaca Gary Hamel em seu livro O Futuro da Administração, pessoas mais vividas, experientes, tendem a se ligar emocionalmente com o que acreditam correto, e tem mais dificuldade de executar a quinta lição de liderança de James T. Kirk: às vezes é preciso mandar a Entreprise pelos ares (figurativamente, claro, já que ela literalmente faz isso o tempo todo), para poder continuar em frente.

O fato de o presidente da Abes estar certo, dentro de suas premissas, não muda o fato de que ele está errado, se o mercado estiver passando por uma evolução. A Abes simplesmente não representa esse mundo, esse mercado de SL, que teima em surgir, crescer e dar dinheiro a muita gente.

A Enterprise está explodindo! Todos para a sala de teleporte!! ;-)

7 de fev. de 2012

Solução de Inteligência de Negócios

Uma Solução de Inteligência de Negócios é o emprego do conhecimento sobre seu negócio (a Inteligência de Negócios) através de uma ferramenta informatizada. Simples?

Sim e não.

Primeiro, o sim-simples. Como conseguir conhecimento sobre seu negócio.

Vamos pegar um exemplo clássico: sabe-se hoje que é muito mais barato manter clientes que adquirir novos clientes. Isso é um conhecimento sobre negócios em geral, é "inteligência de negócios". Qualquer problema que aumente a chance de um de seus clientes abandoná-lo em favor do concorrente deve ser tratado com atenção, para evitar que esse risco se concretize.

Eis o mesmo exemplo, em formato de projeto, e mais alguns:
  • Churn (perda por atrito): se você é do ramo de telefonia, um projeto de data mining sobre sua base de usuários vai ajudá-lo a determinar o perfil do cliente perdido e o que o levou a abandoná-lo.
  • Cross-selling/up-selling: se você é um varejista (banco, supermercado, posto de gasolina, farmácia etc.), instale um programa de fidelidade (para identificar seu cliente) e rode um projeto de data mining para descobrir os perfis de clientes. Identifique aqueles que se encaixam em um perfil de gasto X, mas que estão gastando consideravelmente menos e defina uma ação de marketing para estimular o gasto desse perfil.
  • Capacity planning: se você é uma empresa de serviços públicos essenciais, como água, luz e telefonia, analise sua rede (com data mining, sempre) e descubra os sinais que indicam perdas (de água, luz, sinal etc.) Depois aplique o resultado dessa análise contra a rede toda, para achar pontos de perda ainda ignorados e demandas reprimidas.Isso vai reduzir suas perdas e ajudar a planejar melhor seu crescimento. (Incidentalmente esse projeto ainda te ajuda a evitar que clientes processem sua empresa por cobranças incorretas.)

Nesses três exemplos o resultado é sempre uma equação ou função de algum tipo, que permite avaliar clientes (ou setores) novos em função do histórico de outros clientes (ou setores.) Só por curiosidade, esses três projetos são parte de uma solução maior, chamada de Gerenciamento do Relacionamento com Cliente (ou na sigla em inglês, CRM.)

A Solução de BI, nesses casos, é feita embutindo os resultados dos projetos de Data Mining (empregando o conhecimento do seu negócio) nos sistemas que compõe sua linha de frente (através de uma ferramenta), e mantendo controle sobre a qualidade dessa solução (para evitar que mudanças na realidade tornem seu modelo inútil e te faça perder dinheiro ao invés de ganhar.)

Como eu fiz questão de explicitar, todo esse conhecimento, essa Inteligência de Negócio, é resultado da exploração dos dados da empresa com ferramentas de estudos para grandes volumes de dados, usando o conhecimento do seu negócio em busca de respostas objetivas.

Colocando de outra forma: se você não entende o que o seu negócio faz, nenhum projeto de BI vai mudar sua empresa. Se você entende, usar os dados para responder perguntas precisas vai gerar resultados oportunos, precisos, valiosos e práticos.


E a parte não-simples?


Criar os processos para obter esses resultados e usar seus resultados é que é o desafio real, o que vai gerar um alto ROI.

Diga: você sabe que perguntas responder? Como obter essas respostas? E o que fazer com elas, para que elas gerem valor para sua empresa?

O passo zero é conhecer seu negócio e escolher o que atacar primeiro. Depois, o passo um é ter um Data Warehouse. Com algum histórico de dados acumulados, você está pronto para o passo dois, quando seleciona uma equipe de Data Mining e os faz buscar as respostas.

Com o resultado em mãos (um modelo matemático), cumpra as duas últimas etapas: três, monte um processo de aplicação contínua aos dados on-line (e faça dinheiro, identificando clientes que podem ir embora, ou que poderiam comprar mais, ou falhas na sua rede etc.) e, quatro, monte o processo de avaliação da qualidade dos resultados (para que você não seja pego de surpresa quando seu modelo descolar da realidade - quando isso acontecer, recalibre-o ou refaça-o.)

---

Existe uma categoria simples de solução, que não envolve Data Mining e pode ser usada por um vasto número de pequenas e mesmo médias empresas: OLAP. Um bom DW e uma boa ferramenta OLAP permitem aos analistas de negócio explorar os dados em buscas de perguntas (e suas respostas) que vão melhorar o desempenho da empresa. Ainda que os resultados possam virar parte da cultura da empresa ("o cliente que volta duas vezes, volta a terceira, mas apenas 10% volta a quarta vez") eles não necessariamente serão embutidos nos sistemas on-line, porque são ad-hoc.

19 de jan. de 2012

Sobre o Valor de Licenças de Software em BI

O Serpro, a empresa na qual trabalho, vive o mesmo dilema de qualquer empresa que resolva investir em SL: comprar uma licença.
Peraí. SL não é livre? Então não precisa pagar, não é?
Não tem nada a ver. SL é livre se pode ser usado, modificado e distribuído (modificado ou não) livremente. Porém, como qualquer outro produto, precisa de conhecimento para ser bem usado. E é ai que entram os custos de SL.

Eu já discorri sobre isso na apresentação feita na Fatec, então não vou me repetir. Vou apenas adicionar um pouco sobre isso no campo de BI.

Sobre licenças de software no mundo de BI: solução barata, em BI, custa um milhão de dólares. Solução boa é de cinco milhões, mas eu gostava mesmo era das de dez em diante (a proposta mais cara que eu vi era de dezessete milhões de dólares, inicial, e renovação de cinco milhões de dólares anuais.) Veja porquê.

O valor cobrado pelas suites livres (Pentaho, Spago, Jasper) é o mesmo que fornecedores "comerciais" cobram de consultoria para instalação e treinamento. Eu sei disso porque eu vendia SAS e concorria diretamente com a MicroStrategy e a Informatica. Eu nem sequer visitava o cliente se ele não pedisse proposta que desse, pelo menos, meio milhão de dólares. Pelo valor que a Pentaho cobra, eu usava só uns quinze minutos para atender o cliente, mandando uma proposta pré-formatada: preenchia os nomes do contato e da empresa, imprimia em PDF e mandava por e-mail (nem mandava por correio, que era a norma da empresa.)

Em 2009, fizemos eu e Gerson Tessler, no Serpro, uma conta rápida para mostrar uma das vantagens do Pentaho: o valor que o Serpro pagou de upgrade do MicroStrategy dava para pagar mais de cinquenta anos de licença Pentaho, com usuários ilimitados (em uma máquina modesta, claro; numa parruda dava só uns 20-30 anos.)

Outro parâmetro para comparar: em 2007, só de treinamento em MicroStrategy para a equipe na qual eu estava (e que cuidava do DW PF da RFB) gastamos R$50.000,00. Isso não é caro, é preço de mercado, praticado até mesmo pela Pentaho. Foram vários cursos, para umas quatro pessoas (fora um gratuito.)

Deu para pegar uma proporção?

O custo é sempre relativo ao retorno. Como o retorno de BI sempre é MUITO grande, licenças de BI comercial tendem a ser caras. Como a maioria das empresas ainda não descobriu como usar o verdadeiro poder do BI para aumentar sua lucratividade, a Pentaho vende a suite pelo seu maior valor de face, que é ferramenta de exploração de dados (a.k.a. relatórios.) Esse é um dos motivos pelo qual ela cobra pouco. Só para não ficar dúvidas: mesmo assim, vale a mesma coisa que as caras - e eu me refiro ao SAS e ao MicroStrategy. Se você conhece SAS e MicroStrategy, e já viu o Weka ou Pentaho Analysis, sabe do que eu estou falando.

11 de jan. de 2012

Valores da Hora de Analista de BI

Não é um assunto muito ligado ao tema deste blog, mas é uma pergunta que eu ouço com frequência: quanto vale a hora de um analista de BI? Eu costumo responder que varia 1) se você é PJ ou 2) se é free-lancer (body shop). Se você é PJ e está vendendo diretamente para o cliente, entre R$100,00 e R$200,00 (de jr. a sênior.)

Se você está sendo contratado por uma empresa que vai te alocar em um projeto, eu cobraria a metade: R$50,00-R$100,00. Isso deixa para seu contratador um espaço para a margem dele.

Mas esses valores são uma mistura da minha experiência no SAS em 2000, meu sentimento sobre esse mercado e os valores, e bate-papo com alguns profissionais desse mercado. Esses números são, em inglês, um "educated guess." ;-)

Mas eis que o Ricardo Gouvêa, do blog Planeta Pentaho, achou uma notícia e fez esse comentário:
Já os salários dos desenvolvedores de data warehouse poderão ter contratos com taxas variando de 65 dólares a 85 dólares por hora. Arquitetos de data warehouse podem ganhar 160 mil dólares por ano ou 80 dólares (ou mais, dependendo da experiência) por hora em contrato.
Ele retirou essas informações do site da CIO, mas a Cetax Consultoria também achou informação semelhante no site da Info. Vale a pena conferir, mesmo sendo informação sobre o mercado norte-americano. Na pior das hipóteses você terá uma referência para negociar seu próximo contrato.

17 de out. de 2011

Re-Sourced

Quando eu descobri um cara (Marco Garcia) aqui no Brasil que ensinava Modelagem Dimensional tal como havia aprendido com o Ralph Kimball em pessoa, eu não tive dúvidas: fiz o curso com ele. Foi muito bom, e eu recomendo!

O Prof. Coruja teve a sorte de conseguir esse conhecimento diretamente da fonte! Um dia eu chego lá!

11 de out. de 2011

CEO Out, CEO In

Pois é, só vi agora, mas é de 4/10: não é que o Richard Dalley saiu do cargo de CEO?? Ele ficou no board, com iniciativas estratégicas, relacionamento com parceiros e clientes e outras coisas grandes (literalmente). Quem ficou no lugar é o Quentin Gallivan, que fez e aconteceu em uma pá de empresas, e gerou um monte de grana.

Estou meio ressabiado. Quem viu o BI Server 4.0, já deve ter notado as mensagens dizendo que os componentes jPivot e AdHoc Reporting não receberão mais desenvolvimento, e que estão ali por cortesia.

E agora eles trazem um cara com uma "proven ability to lead top-performing teams, his passion for the analytics market and his track record in driving shareholder value". Shareholder value é uma daquelas expressões que significam coisas inerentemente ruins. É muito bom para o dono da empresa, mas nem sempre para os clientes. Espero que ele consiga agregar o aspecto SL no valor para o acionista. Foi isso que tornou o Pentaho famoso e adorado. De outra forma, ninguém nunca teria se interessado por (mais) um produto no mercado de SP BI.

Eu deixei um comentário para o Richard Dalley.

Misturada Louca

Estou testando uma solução do Serpro nas três plataformas: BI Server 3.6, 3.8 e "3.9" (que é a 4.0, na verdade.)

Fora ter que corrigir a 3.6 para não dar o erro XULo, eu preciso purgar o cache do Firefox entre os testes de cada plataforma. Quando eu voltei da 4 para 3.6, a tela ficou assim:
BI Server 3.9.6? BI Server 3.6.9?
Quem já está acostumado vai notar que os ícones da barra de ferramenta da PUC estão com os ícones do BI Server 4. Ainda não fechei o Firefox (depois da purga) para ver se é algum cache mais imediato. Pode ser que suma.

29 de set. de 2011

Bobeirinhas 2: integrando BI Server ao Shell Linux

Quando eu digo que o Pentaho tem muita coisa escondida, não estou exagerando. Tem coisas que o Pentaho faz que, aposto, nem ele sabe que faz.

Um dia me ligaram, lá no Serpro, perguntando como executar uma XAction a partir do shell Linux.

?? WTF ??

O processo de publicação de novas soluções (no Serpro) é automático, e consiste em mover arquivos de um repositório externo para um interno. Isso é feito fora do BI Server, extemporaneamente, por um script shell. Ou seja, não dava para prever quando ocorreria e não havia como amarrar isso a uma XAction (na verdade, até dava - mas eles precisariam reverter a lógica do processo e bagunçar tudo que já estava pronto.)

Solução? Oras, executar a XAction em linha de comando.

Parece absurdo, mas é absurdamente fácil:

wget "http://localhost:8080/pentaho/ViewAction?&userid=<<user>>&password=<<password>>&solution=admin&path=&action=clean_repository.xaction"

Quem conhece o comando wget adivinhou tudo: XAction executada em linha de comando. Daqui em diante, tudo é possível! Integrar XActions no seu programa, agendar com o cron... o céu é o limite!

Eu não consigo evitar de sorrir cada vez que eu penso nisso - e funciona! :-)

Ah, existe um wget para Windows, também, além do wget via Cygwin.

13 de set. de 2011

Bobeirinhas 1

Pois é, tem aquelas coisas que não são nada, que são umas bobeirinhas, mas que ajudam muito.

Quem usa o Pentaho Data Integration (a.k.a. Kettle) no Ubuntu já teve ter passado por isso: se a sua resolução vertical é 768 ou menos, alguns passos não mostram tudo, como na figura abaixo.


Eis o caso do passo Dimension Lookup/Update: a grade para entrar os valores de chaves e atributos sumiu! E essa janela já está com a altura máxima que meu desktop (que tem 1024x768) comporta.

O Ubuntu usa muito espaço nos layouts básicos, e janelas como essa ficam muito boas em resolução muito alta. Se vocẽ não é um feliz possuidor de monitores que, de tão grande, constam até no programa de reforma agrária, então você precisa apelar para "bobeirinhas".

A primeira é mudar a fonte: se você alterar o tamanho da fonte default de 96 para, digamos, 76, a situação já melhora bastante:


Só de alterar a densidade da fonte de 96 para 76, o tamanho das janelas muda. Nesse exemplo já conseguimos visualizar ao menos uma linha da grade de chaves e atributos. Mas ainda dá para melhorar.

O Gnome, usado pelo Debian e Ubuntu, tem muitas opções de configurações. Uma delas é o conjunto de controles:


Na janela de propriedades visuais existe uma opção de customizar o tema que dá acesso às opções de cores, pointers, bordas de janela e controles. Na mesma janela de seleção de tema há um link para obter mais temas e um botão para instalar novos.


Os temas Human Compact e Clearlooks Compact são os mesmos temas Clearlooks e Humam, mas com widgets consideravelmente menores.

Veja como ficou o passo D L/U com outro tema, meu preferido, o Ambience Compact:


Acredite se quiser, eu não mudei o tamanho da janela, apenas mudei fonte  e tema (fonte tamanho 76, tema Ambiance Compact.)

É isso. Agora você já sabe como ganhar espaço no Ubuntu (e em qualquer Gnome) para usar o PDI com mais conforto.

2 de set. de 2011

Grupo Centauro estuda Pentaho

Ontem, durante uma das minhas aulas EAD Pentaho pela 4Linux, um dos alunos comentou que o Grupo Centauro (a cadeia de lojas de artigos esportivos) estuda implementar o Pentaho. (Claro que ele me autorizou a comentar isso aqui.)

Você sabe de alguém que está ponderando usar SL na empresa? Deixe seu comentário!

24 de ago. de 2011

There is only one XUL!

A versão 3.6 do BI Server dá um erro de XUL:

A consequência desse problema é o sumiço dos ícones da barra de ferramentas:

Esse bug foi reportado no Jira BISERVER-5282.

De acordo com o discutido naquele Jira, a solução é relativamente simples: trocar todas as referências a certos objetos dentro do BI Server.

No Linux, entre no diretório do BI Server (biserver-ce) e dê esse comando:

find . -type f -iname *.xul -exec sed -i 's/http:\/\/www\.mozilla\.org\/keymaster\/gatekeeper\/there\.is\.only\.xul/http:\/\/www.pentaho.org\/keymaster\/gatekeeper\/there\.is\.only\.xul/g' {} \; 

Depois purge o cache do seu browser. Pronto, no próximo login esse erro não deve acontecer de novo.

No Windows há duas alternativas: instalar o Cygwin e emitir o mesmo comando, ou procurar uma ferramenta de edição de arquivos múltiplos (ou procure no Google - eu gosto do Context) e fazer a troca de http://www.mozilla.org/keymaster/gatekeeper/there.is.only.xul por http://www.pentaho.org/keymaster/gatekeeper/there.is.only.xul em todos os arquivos dentro do BI Server.

Eu recebi essa dica a primeira vez do Pedro Alves, durante o curso de C*Tools em São Paulo.

28 de jul. de 2011

Vote em mim!

Sempre que descobrirmos uma funcionalidade que nos faz falta, podemos abrir um "ticket" no Jira, o site que controla a produção do Pentaho.

Lá você temos desde bugs encontrados em cada aplicativo, a solicitações de novas funcionalidades e atualizações de coisas antigas. Além disso, cada item está permanentemente em votação: se você encontrar um bug que te atrapalha, e ele estiver no Jira, você pode votar nele. Quanto mais votos um item tem, maior a chance de ele ser incluído na próxima release.

O mesmo acontece para as novas funcionalidades: quanto mais votos uma tem, maior a chance de ela ser implementada na próxima versão.

As seções dos projetos de comunidade são:
Os meu Jiras favoritos sao:

Registre-se, faça login e vote em seu bug ou feature favorita!

26 de jul. de 2011

Lados

Durante o curso de C*Tools, o Pedro Alves contou-nos um pouco sobre a vida interna da Pentaho. Sendo uma empresa como outra qualquer, é de se esperar que tenha os mesmos problemas de outra empresa qualquer - até aí, tudo bem. O legal é saber de coisas que normalmente não aconteceriam em empresas "normais".

Dessas coisas, a mais bacana é saber que existe um debate, contínuo, sobre a abertura da plataforma como software livre. Há uma parcela da empresa que quer fechar cada vez mais o produto. Outra, que quer mantê-lo aberto e até abrir mais coisas.

Eu sou capitalista: acredito que não se pode viver e crescer sem contar com lucro na empresa. Por isso acho justo que, até certo ponto, a Pentaho ofereça coisas legais na versão paga, que não são oferecidas na versão comunitária. Por outro lado, na minha opinião, a Pentaho têm acertado esse equilíbrio até agora. Pense: se você dispensar os frufus de visualização, tudo que é possível fazer na corporativa também pode ser feita na comunitária!

Espero que a Pentaho consiga manter-se nesse rumo, e torço para que esse debate não descarrilhe a empresa.

24 de jul. de 2011

Novidades Caribenhas

George Whyte, diretor da Calibra Solutions Limited (Trinidade/Caribe), deve ter ouvido dizer que o Serpro usa Pentaho (From our research, we notice that SERPRO has an interest in using Pentaho) e mandou um e-mail na minha conta da empresa, perguntando se é fato (que eu respondi confirmando, claro.)

Legal! De alguma forma, está começando a se espalhar pelo mundo a notícia de que o Serpro usa Pentaho! (E eu aproveitei para dizer que o Serpro tem uma forte política de adoção de Software Livre, em geral. He he.)

23 de jul. de 2011

Na Seqência...

...fomos para FIT (Unidade I), fazer um encontro da comunidade Pentaho. Apesar de ter sido fechado em cima da hora, pudemos contar com gente de outros estados e até de outros países - ponto para o Ricardo Gouvea!

Pude rever gente que andava sumida, como o Sílvio, a Gisele e o Pedro, do departamento de informática da USP (ex-alunos meus na 4Linux) e o Iandé Coutinho, novo Pentaho Gold Partner no Brasil, pude ver gente conhecida, como meu aluno de EAD-xará Fábio Sato (que está enfrentando um curioso caso de jPivot impossível de ser editado) e conhecer gente nova (prometo uma atualização com os nomes nos cartões de visita!)

E o mais legal é que Pedro nos transmitiu o comentário de Doug Moran, dizendo que gostaria de ter vindo, mas como não deu, ao menos vai nos mandar camisetas oficiais! Yahoo!!! Quero dizer, Pentahoooo! :-)

Painéis

Ufa! Acabou hoje (/ontem) o curso C*Tools, ministrado por Pedro Alves, e trazido ao Brasil pelo Prof. Coruja. Excelente curso! Como todo conhecimento de qualidade, ele conseguiu alterar minha percepção de mundo. Agora eu vejo com outros olhos as soluções de BI, e mal posso esperar para colocar em prática esse conhecimento!