12 de mar. de 2012

Vingou

Você sabe que uma determinada idéia vingou quando começam a surgir suas aplicações de nicho. Diga lá: se você fosse uma imobiliária e quisesse fazer um site, para turbinar seus negócios, o que faria?

Provavelmente compraria esse serviço pronto, ou pagaria um hospedeiro e construiria uma página no braço.

Bom, qualquer que seja o caminho, ele acabou de ganhar uma mão do Software Livre:
Open4Listing
Open4Listing is a free and open source solution for the creation of a corporate website with classifieds. Developed mainly for Real Estate Agents, Brokers and Real Estate Professionals, Open4Listing is also used in other fields of activity, such as Auto Parts Sales, Heavy Industry Machinery Sales or Short Term Accommodation Rentals.

Open4Listing is powered by PHP and MySQL and was created by INFO CITY SRL, the company which developed several real estate portals, such as us-estate.com or reqAfrica.com.

The software is SEO-friendly, AD free and can easily be modified to meet users needs. With Open4Listing you can easily change colors, themes, implement a business logo or create categories and subcategories. To change any of these, follow the instructions on Open4Listing.com, sections Tips and Tricks or How To.

Open4Listing is a free and open source software licensed under version 3 of the GNU General Public License.
Esse anúncio saiu no LinkedIn: Open source classifieds website.

Francamente, não há mercado com o qual eu tenha menos contato ou saiba menos. Mas alguém achou que ele representa uma boa oportunidade de investimento e, contrariando a opinião do Sr. Gérson Schmitt, resolveu inovar e construir uma aplicação exclusiva para isso. Tão específica que até a questão de SEO foi levada em conta! E não é experimental: já existem vários casos! (Olhe no site deles.)

Uau! Me digam se isso não representa o sucesso da idéia de Software Livre? Vingou ou não vingou?

7 de mar. de 2012

Precisamos Explodir a Enterprise


Essa notícia  é um pouco antiga:

Software Livre tem 3% de Participacao no Mercado Nacional
A participação do software livre no mercado nacional de software e serviços é de 2,95%, segundo a 7ª edição da pesquisa “Mercado Brasileiro de Software — Panorama e Tendências” encomendada pela Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) e realizada pela IDC. O que equivale a US$ 0,5 bilhão

O estudo aponta que após uma década de apoio ostensivo de muitos representantes da gestão pública no país, em especial do governo federal, e bilhões de reais aplicados neste modelo, o desempenho não foi satisfatório.

“A pesquisa confirma o que os empresários têm alertado ao governo há anos sem serem ouvidos: o modelo de software livre não produz inovação, demanda mais mão-de-obra, remunera menos toda a cadeia produtiva, não é alto sustentável e seria praticamente inexistente em termos de PIB sem o governo como seu protagonista. Não entendemos a quem interessa insistir em mais uma década com uma estratégia que não tem resultados macro-econômicos relevantes, consome recursos milionários e ainda doa conhecimento estratégico em TI produzido com recursos públicos para concorrentes internacionais, que representam mais de 50% dos downloads do portal do software público”, Gérson Schmitt, presidente da Abes, em comunicado oficial enviado à imprensa.

Segundo a pesquisa, o mercado brasileiro de software e serviços cresceu 21,3% em 2010, e movimentou cerca de US$ 19,04 bilhões.
O grifo é meu. Essa pesquisa foi feita pela Abes. A Abes é uma organização muito importante para o Brasil, que representa os interesses das empresas de software, que emprega milhares de brasileiros e presta grandes serviços a todos nós. Por exemplo, ela é uma das principais empresas brasileiras na ação contra a pirataria de software, uma praga que destrói valor, que joga no lixo o trabalho de muita gente.


A declaração do presidente da Abes é muito interessantes. Ele diz, entre outras coisas, que SL:
  • Não produz inovação;
  • Demanda mais mão-de-obra;
  • Remunera menos toda a cadeia produtiva.
O que ele fala é verdade, mas (e esse é um grande mas) eu conheço o mercado de SL e sei que esses fatos não se prestam à interpretação crua.

Vamos revê-los.

Não produz inovação


É razoável supor que a inovação a que o presidente da Abes se refere seja, no mínimo, a inovação como entendida por empresas que produzem software - inovaçao em software. Criação e desenvolvimento de novos produtos.

Sob esse ponto de vista, eu acredito que ele está 100% correto. Software Livre dificilmente inspira uma empresa a criar algo novo, já que a venda de licença e serviços será mais complicada. Melhor exemplo é a Apple, que volta e meia é criticada por comunidades de SL dizendo que usaram e abusaram, e devolveram muito pouco (a mesma crítica que a Canonical recebe da comunidade Debian.

Demanda mais mão-de-obra

Como ele avalia isso? Não consigo imaginar, e não estou em posição de ir lá perguntar a ele. Mas posso sugerir uma hipótese: 100% de um departamento de TI que usa 100% de Windows resolve adotar, sei lá, RedHat. Esse departamente vai precisar contratar no mínimo alguns profissionais a mais. No futuro esse departamento pode treinar seus outros empregados para dar suporte aos novos produtos, mas com certeza precisará de mais gente, e hoje. Ou seja, usar SL significou aumentar o quadro.

Outra hipótese é que essa mudança se dá por conta de crescimento: ao invés de continuar com o que tem, resolvem investir em SL. Novos empregados, que seriam contratados de qualquer forma, contratação motivada pelo simples crescimento, vão ser contratados para esses novos produtos. Há menos mão-de-obra para SL que para outros. Logo, os salários são "diferenciados", o risco de turn-over aumenta, tudo se complica.

Eu diria que ele também está certo nesse caso, ainda que não posso dar mais certeza que no item anterior, já que eu tenha apenas um chute razoável sobre o critério aqui.

Remunera menos toda a cadeia produtiva

De novo, concordo com ele. Software Livre não faz parte da cadeia produtiva da indústria de software proprietário, e usá-lo significa esvaziar essa cadeia. São menos pessoas trabalhando nessa cadeia.

Será?

Vejamos de novo os argumentos, aproveitando o conhecimento que eu tenho sobre o mercado de Softare Livre.

Não produz inovação ?

Veja esses links:
O mais legal é que o artigo original saiu em junho de 2011, um pouco antes da pesquisa da Abes.

Em outras palavras, SL livre é o petróleo da inovação do mercado de capitais norte-americano na década de 2000. Sua existência mudou as regras do jogo. Me pergunto como deve ser esse cenário no Brasil.

A Pentaho Corporation foi fundada para unificar projetos de SL (dai o nome) e ganhar dinheiro vendendo Software Livre e serviços. O impacto do Pentaho foi tão grande que empresas de software proprietário lançaram versões SoHo e Cloud gratuitas (como a líder do mercado MicroStrategy.)
  • A comunidade de SL do Pentaho desenvolveu sua parte do bolo, também: um português que volta e meia nos visita, o grande Pedro Alves, codificou um framework de dashboards tão bom que a própria Pentaho o adotou ao invés de criar o seu.
  • Tom Barber e equipe estão desenvolvendo um novo visualizador OLAP, que deve substituir o jPivot completamente em breve.

A partir do trabalho de seu fundador, Miguel Valdes Faura, no OW2, a empresa Bonitasoft criou uma solução de automação de BPM (um BPMS) que praticamente definiu o padrão dessa solução no mercado de SL. Tamanho foi o sucesso desse conceito que grandes empresas de SL seguiram a idéia e lançaram concorrentes.

Finalmente, cheque meu post  Calibre sua Biblioteca.

Demanda mais mão-de-obra?

Vejam meu post Salários de especialistas Linux em alta nos EUA. Lido a frio, o comentário do presidente da Abes parece depor contra ele: não é bom aumentar a demanda por mão-de-obra? Isso não significa mais empregos? Como nós não temos a informação sobre o contexto no qual ele se expressou, não podemos seguir essa linha de raciocínio.

Por outro lado, pense um pouco: se é correta a hipótese de SL não se adequa ao mercado "clássico" de software, então estamos falando de um mercado novo, com enorme potencial de crescimento, tanto em empregos quanto em faturamento.

Existe uma empresa especialista em SL (no Brasil) que tem uma equipe de TI própria (para suas próprias necessidades) menor que a média da categoria. Eles conseguem ter um quadro menor porque usam 100% de SL para tudo. A experiência deles mostra que, embora não seja óbvio nem fácil fazer, usar SL e jogar pesado com RH tem um impacto sensível no quadro de empregados e no faturamento da empresa. Na experiência deles, seu quadro de TI tem proporcionalmente menos mão-de-obra que as outras empresa do mesmo porte e negócio. (Eu preciso conseguir autorização para publicar esse caso - é bom demais! Mas eles não querem chamar a atenção!!!)

Finalmente, qualquer adoção de novos softwares (e não apenas mais do mesmo), livre ou proprietário, traz embutida a pressão por mais mão-de-obra. O que diferencia uma pressão da outra?

Remunera menos toda a cadeia produtiva?

Que cadeia produtiva? Como comparar a cadeia produtiva de SL, que é simplesmente diferente da de SP?

Veja só isso:
  1. Uma empresa de pequeno-médio porte não pode arcar com custos típicos de soluções de BI.
  2. Uma empresa de SL oferece a esse mercado pequeno-médio soluções de BI mais em conta, usando Pentaho, com desenvolvimento, capacitação e suporte.
  3. Seus profissionais são treinados por outras empresas, de pequeno-médio porte, que vendem treinamento na plataforma e em BI.
  4. Essas empresas de treinamento desenvolvem ou compram o material de curso e...
  5. ...Para isso contratam profissionais, CLT ou freelancers.
  6. Esses profissionais investem na sua própria educação, para se manter atualizados e manter atualizados os cursos.
Isso não é só um exercício de imaginação! Busquem na web por suporte e treinamento em Software Livre! Veja quantas pessoas e empresas existem, no Brasil, nesse mercado.

Empresas como a Pentaho, a Bonitasoft, RedHat, Canonical, Compieri, EnterpriseDB e tantas outras possuem suas próprias cadeias de fornecimento, nas quais são empregadas muitas pessoas, e - mais que isso - atendem segmentos que tem menos capacidade de arcar com a estrutura e custos requeridos por muitos softwares proprietários e que são indispensáveis hoje em dia.

É, pura e simplesmente, um outro mundo, novo, com muito espaço para crescer.

Só para constar: a Bonitasoft com certeza está demandando mais mão-de-obra.  :-)

Conclusão

A Abes é uma grande organização (no sentido de importância e seriedade, não no tamanho), a serviços de empresas sérias e competentes, de um mercado importante e vibrante, no Brasil e no mundo. Ela existe no contexto da produção de software tal como um carro produzido em uma indústria de automóveis, que tem seu próprio orgão de apoio (a ANFAVEA.) Como um brasileiro cioso da responsabilidade que todo governante tem em gastar bem o nosso dinheiro, é esperado, é até uma postura moralmente imposta, que ele faça essas perguntas. Tem meu total apoio e fico feliz que ele as tenha feito.

Porém, como destaca Gary Hamel em seu livro O Futuro da Administração, pessoas mais vividas, experientes, tendem a se ligar emocionalmente com o que acreditam correto, e tem mais dificuldade de executar a quinta lição de liderança de James T. Kirk: às vezes é preciso mandar a Entreprise pelos ares (figurativamente, claro, já que ela literalmente faz isso o tempo todo), para poder continuar em frente.

O fato de o presidente da Abes estar certo, dentro de suas premissas, não muda o fato de que ele está errado, se o mercado estiver passando por uma evolução. A Abes simplesmente não representa esse mundo, esse mercado de SL, que teima em surgir, crescer e dar dinheiro a muita gente.

A Enterprise está explodindo! Todos para a sala de teleporte!! ;-)

17 de fev. de 2012

Salários de especialistas Linux em alta nos EUA

De acordo com um post no blog Digits (que cobre tecnologiapara o site FINS.com, blog do The Wall Street Journal sobre empregos), uma recente pesquisa da Dice para a Linux Foundation mostrou que a busca por administradores Linux aqueceu o mercado norte-americano, causando um aumento de 5% na média dos valores salariais, indo para US$84K/ano.

Cerca de 2300 companias foram ouvidas e quase um terço delas diz que aumentou o salário do administrador Linux acima da média de aumentos da compania.

Em outras palavras: capacitação em software livre vale mais no salário nos EUA. Considerando-se os prováveis motivos dessa demanda (busca por menores custos em função da crise), eu diria que é uma questão de tempo até as empresas se darem conta que adotar software livre em geral, e não apenas o SO, é uma vantagem competitiva.

16 de fev. de 2012

Calibre sua Biblioteca

Acabei de receber meu Kindle! E não existe um bom adjetivo, másculo o bastante, para dizer o quanto eu gostei dele! Eu realmente sou um cara de livros - livros, livros, livros! Um iPad ou netbook não ia me dar tanta diversão, mas um e-book reader...

Claro que esse tipo de brinquedo é uma armadilha para os fracos, como eu, que não podem viver sem ler tudo. De cara eu topei com o Jogo do Exterminador, no original em inglês, com edição revista e uma capa kickin'-ass por - BAGATELA! - US$6,00!!! Comprei na hora e já estou lendo!

"Perai, Fábio", estancarão vocês, "e sua promessa sobre blog de software livre, de negócios?"


Bom, esse post é justamente sobre isso: como usar um Kindle no Ubuntu? Com o Calibre, uma biblioteca virtual compatível com Kindle, Nook, iPad, iPhone etc. que roda em Linux, Mac e Windows. Não apenas consigo gerenciar o conteúdo do meu Kindle com ele, como posso adicionar todos os artigos que eu leio na Internet, as apostilas de Pentaho que eu criei, entre outros.

7 de fev. de 2012

Solução de Inteligência de Negócios

Uma Solução de Inteligência de Negócios é o emprego do conhecimento sobre seu negócio (a Inteligência de Negócios) através de uma ferramenta informatizada. Simples?

Sim e não.

Primeiro, o sim-simples. Como conseguir conhecimento sobre seu negócio.

Vamos pegar um exemplo clássico: sabe-se hoje que é muito mais barato manter clientes que adquirir novos clientes. Isso é um conhecimento sobre negócios em geral, é "inteligência de negócios". Qualquer problema que aumente a chance de um de seus clientes abandoná-lo em favor do concorrente deve ser tratado com atenção, para evitar que esse risco se concretize.

Eis o mesmo exemplo, em formato de projeto, e mais alguns:
  • Churn (perda por atrito): se você é do ramo de telefonia, um projeto de data mining sobre sua base de usuários vai ajudá-lo a determinar o perfil do cliente perdido e o que o levou a abandoná-lo.
  • Cross-selling/up-selling: se você é um varejista (banco, supermercado, posto de gasolina, farmácia etc.), instale um programa de fidelidade (para identificar seu cliente) e rode um projeto de data mining para descobrir os perfis de clientes. Identifique aqueles que se encaixam em um perfil de gasto X, mas que estão gastando consideravelmente menos e defina uma ação de marketing para estimular o gasto desse perfil.
  • Capacity planning: se você é uma empresa de serviços públicos essenciais, como água, luz e telefonia, analise sua rede (com data mining, sempre) e descubra os sinais que indicam perdas (de água, luz, sinal etc.) Depois aplique o resultado dessa análise contra a rede toda, para achar pontos de perda ainda ignorados e demandas reprimidas.Isso vai reduzir suas perdas e ajudar a planejar melhor seu crescimento. (Incidentalmente esse projeto ainda te ajuda a evitar que clientes processem sua empresa por cobranças incorretas.)

Nesses três exemplos o resultado é sempre uma equação ou função de algum tipo, que permite avaliar clientes (ou setores) novos em função do histórico de outros clientes (ou setores.) Só por curiosidade, esses três projetos são parte de uma solução maior, chamada de Gerenciamento do Relacionamento com Cliente (ou na sigla em inglês, CRM.)

A Solução de BI, nesses casos, é feita embutindo os resultados dos projetos de Data Mining (empregando o conhecimento do seu negócio) nos sistemas que compõe sua linha de frente (através de uma ferramenta), e mantendo controle sobre a qualidade dessa solução (para evitar que mudanças na realidade tornem seu modelo inútil e te faça perder dinheiro ao invés de ganhar.)

Como eu fiz questão de explicitar, todo esse conhecimento, essa Inteligência de Negócio, é resultado da exploração dos dados da empresa com ferramentas de estudos para grandes volumes de dados, usando o conhecimento do seu negócio em busca de respostas objetivas.

Colocando de outra forma: se você não entende o que o seu negócio faz, nenhum projeto de BI vai mudar sua empresa. Se você entende, usar os dados para responder perguntas precisas vai gerar resultados oportunos, precisos, valiosos e práticos.


E a parte não-simples?


Criar os processos para obter esses resultados e usar seus resultados é que é o desafio real, o que vai gerar um alto ROI.

Diga: você sabe que perguntas responder? Como obter essas respostas? E o que fazer com elas, para que elas gerem valor para sua empresa?

O passo zero é conhecer seu negócio e escolher o que atacar primeiro. Depois, o passo um é ter um Data Warehouse. Com algum histórico de dados acumulados, você está pronto para o passo dois, quando seleciona uma equipe de Data Mining e os faz buscar as respostas.

Com o resultado em mãos (um modelo matemático), cumpra as duas últimas etapas: três, monte um processo de aplicação contínua aos dados on-line (e faça dinheiro, identificando clientes que podem ir embora, ou que poderiam comprar mais, ou falhas na sua rede etc.) e, quatro, monte o processo de avaliação da qualidade dos resultados (para que você não seja pego de surpresa quando seu modelo descolar da realidade - quando isso acontecer, recalibre-o ou refaça-o.)

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Existe uma categoria simples de solução, que não envolve Data Mining e pode ser usada por um vasto número de pequenas e mesmo médias empresas: OLAP. Um bom DW e uma boa ferramenta OLAP permitem aos analistas de negócio explorar os dados em buscas de perguntas (e suas respostas) que vão melhorar o desempenho da empresa. Ainda que os resultados possam virar parte da cultura da empresa ("o cliente que volta duas vezes, volta a terceira, mas apenas 10% volta a quarta vez") eles não necessariamente serão embutidos nos sistemas on-line, porque são ad-hoc.

19 de jan. de 2012

Sobre o Valor de Licenças de Software em BI

O Serpro, a empresa na qual trabalho, vive o mesmo dilema de qualquer empresa que resolva investir em SL: comprar uma licença.
Peraí. SL não é livre? Então não precisa pagar, não é?
Não tem nada a ver. SL é livre se pode ser usado, modificado e distribuído (modificado ou não) livremente. Porém, como qualquer outro produto, precisa de conhecimento para ser bem usado. E é ai que entram os custos de SL.

Eu já discorri sobre isso na apresentação feita na Fatec, então não vou me repetir. Vou apenas adicionar um pouco sobre isso no campo de BI.

Sobre licenças de software no mundo de BI: solução barata, em BI, custa um milhão de dólares. Solução boa é de cinco milhões, mas eu gostava mesmo era das de dez em diante (a proposta mais cara que eu vi era de dezessete milhões de dólares, inicial, e renovação de cinco milhões de dólares anuais.) Veja porquê.

O valor cobrado pelas suites livres (Pentaho, Spago, Jasper) é o mesmo que fornecedores "comerciais" cobram de consultoria para instalação e treinamento. Eu sei disso porque eu vendia SAS e concorria diretamente com a MicroStrategy e a Informatica. Eu nem sequer visitava o cliente se ele não pedisse proposta que desse, pelo menos, meio milhão de dólares. Pelo valor que a Pentaho cobra, eu usava só uns quinze minutos para atender o cliente, mandando uma proposta pré-formatada: preenchia os nomes do contato e da empresa, imprimia em PDF e mandava por e-mail (nem mandava por correio, que era a norma da empresa.)

Em 2009, fizemos eu e Gerson Tessler, no Serpro, uma conta rápida para mostrar uma das vantagens do Pentaho: o valor que o Serpro pagou de upgrade do MicroStrategy dava para pagar mais de cinquenta anos de licença Pentaho, com usuários ilimitados (em uma máquina modesta, claro; numa parruda dava só uns 20-30 anos.)

Outro parâmetro para comparar: em 2007, só de treinamento em MicroStrategy para a equipe na qual eu estava (e que cuidava do DW PF da RFB) gastamos R$50.000,00. Isso não é caro, é preço de mercado, praticado até mesmo pela Pentaho. Foram vários cursos, para umas quatro pessoas (fora um gratuito.)

Deu para pegar uma proporção?

O custo é sempre relativo ao retorno. Como o retorno de BI sempre é MUITO grande, licenças de BI comercial tendem a ser caras. Como a maioria das empresas ainda não descobriu como usar o verdadeiro poder do BI para aumentar sua lucratividade, a Pentaho vende a suite pelo seu maior valor de face, que é ferramenta de exploração de dados (a.k.a. relatórios.) Esse é um dos motivos pelo qual ela cobra pouco. Só para não ficar dúvidas: mesmo assim, vale a mesma coisa que as caras - e eu me refiro ao SAS e ao MicroStrategy. Se você conhece SAS e MicroStrategy, e já viu o Weka ou Pentaho Analysis, sabe do que eu estou falando.

16 de jan. de 2012

Meus Livros Favoritos

Eu também poderia intitular o post "Porque eu Preciso de um Kindle Fire", mas achei que seria demais. ;-)

Ganhei O Andar do Bêbado, de um grande amigo físico (como eu.) As primeiras páginas já mudaram meu entendimento sobre eventos aleatórios (pegadinha: na Porta da Esperança, vale a pena mudar de porta depois de o SS abrir uma errada? Resposta: SIM!!!)

Outro que eu já havia lido nesse ramo é Freakonomics: coloca questões muito interessantes e se esforça para te fazer entender que funk não causa dano cerebral, mas sim que dano cerebral te leva a ouvir funk (o carioca, no o original - obrigado Thunder!!) (ATENÇÃO: essa imagem é uma montagem, ela é falsa!!)

Eu também estou terminando de ler Scrum and XP from the Trenches (Enterprise Software Development) e Agile Software Development Scrum.

O primeiro é um relato de guerra de um cara que implementou Scrum (e outras técnicas, como XP) na empresa em que trabalha. Muito bom! Vale por uma vida e te converte para Scrum/XP/TDD nem que você diga não, obrigado.

O segundo é o relato do nascimento e estabelecimento da metodologia Scrum. Seu objetivo não é ensinar Scrum, mas contar sobre como ele nasceu, de que idéias, de que necessidades. Ainda assim, te deixa uma boa idéia de como fazê-lo (apesar de ser melhor usar livros como Agile Project Management with Scrum.) O melhor é mesmo entender as mentes por trás da idéia. Depois de lê-lo é impossível não se jogar no chão genuflexionando-se para o Scrum como se fosse a bíblia da segunda vinda do messias...

Meu próximo livro: Wicked Problems, Righteous Solutions. Em poucas palavras, porquê o modelo cascata (waterfall) falhou. Depois eu vou buscar um mostrando porquê ele deu certo (ou provando que ele funciona.) Só para não ficar na oposição. ;-)

Fora isso, meus três mais são:
  1. Não é Sorte
  2. O Futuro da Administração
  3. How to Measure Anything
Até mais!

11 de jan. de 2012

Valores da Hora de Analista de BI

Não é um assunto muito ligado ao tema deste blog, mas é uma pergunta que eu ouço com frequência: quanto vale a hora de um analista de BI? Eu costumo responder que varia 1) se você é PJ ou 2) se é free-lancer (body shop). Se você é PJ e está vendendo diretamente para o cliente, entre R$100,00 e R$200,00 (de jr. a sênior.)

Se você está sendo contratado por uma empresa que vai te alocar em um projeto, eu cobraria a metade: R$50,00-R$100,00. Isso deixa para seu contratador um espaço para a margem dele.

Mas esses valores são uma mistura da minha experiência no SAS em 2000, meu sentimento sobre esse mercado e os valores, e bate-papo com alguns profissionais desse mercado. Esses números são, em inglês, um "educated guess." ;-)

Mas eis que o Ricardo Gouvêa, do blog Planeta Pentaho, achou uma notícia e fez esse comentário:
Já os salários dos desenvolvedores de data warehouse poderão ter contratos com taxas variando de 65 dólares a 85 dólares por hora. Arquitetos de data warehouse podem ganhar 160 mil dólares por ano ou 80 dólares (ou mais, dependendo da experiência) por hora em contrato.
Ele retirou essas informações do site da CIO, mas a Cetax Consultoria também achou informação semelhante no site da Info. Vale a pena conferir, mesmo sendo informação sobre o mercado norte-americano. Na pior das hipóteses você terá uma referência para negociar seu próximo contrato.

19 de dez. de 2011

Como Montar uma IBM de Software Livre

Eu sempre acreditei que, usando SL, eu posso criar uma empresa que não fabrique nenhum produto, mas mesmo assim fature alto com soluções de TI. A idéia é bem simples, até. Por exemplo, vamos dizer que um ministério lance um edital para isso:

Precisamos de um sistema para pagar conveniados do programa X, com todos os pagamentos a partir de R$100k auditados, com interface web para o conveniado acompanhar seu processo de pagamento e/ou auditoria, para que ele possa tomar as providências necessárias. Queremos que todos esses números apareçam no Portal da Transparência automaticamente, atualizado mensalmente. Todo acesso dos conveniados e funcionários da administração pública federal devem ser controlados com criptografia.

Até ontem à noite, eu não tinha uma idéia clara de como montar essa empresa, que pudesse atender esse tipo de demanda com SL. Minha visão, para mim, sempre foi muito clara – empresa três-em-um: Centro de Dados + Software House + Soluções. Se, eventualmente, o cliente decidir usar o próprio CD ou de um terceiro, como o Serpro, a empresa poderia passar tudo para lá facilmente (eu construiria as soluções para rodar em máquinas virtuais, como uma nuvem.)

Dai, digamos que essa empresa examina sua linha de produtos de SL (todos adotados, nenhum inventado por eles) e concluem que:

  • O módulo financeiro de um ERP (Compieri, digamos) pode controlar as contas do convênio.
  • Um AlFresco pode manter scans da documentação.
  • Um Bonita Open Solution pode executar o fluxo de auditoria.
  • Um eXo Portal pode ser o link com o conveniado.
  • Uma solução de BI com Pentaho pode publicar os relatórios no Portal da Transparência.
Suponha que apenas metade desses aplicativos suporta SSO com criptografia. Como resolvemos?

Assim:
  • Cada SL em uso na nossa linha de produtos tem sua própria equipe de desenvolvimento.
  • Enquanto o 2/3 da empresa cuida de montar a infra-estrutura (CD) e implantar a solução (Soluções) o outro 1/3 (Software House) define as funcionalidades necessárias que ainda não existem.
  • Em conjunto com a comunidade, as equipes de cada um desses programas evolui o SL.
  • Na última etapa da implantação, a infra-estrutura atualiza o SL para a última versão comunitária, que foi desenvolvida por essa empresa hipotética.
Na verdade, já existem empresas que fazem isso para si mesmas: usam tudo livre e quando um determinado software não tem tudo, eles pagam alguém para fazer e devolver a contribuição à comunidade. Assim eles ganham duas vezes, com o resultado e alimentando o círculo virtuoso do SL.

E existem empresas como a Pentaho e a RedHat, que também fazem isso. Só que elas dão manutenção apenas nos seus próprios softwares, e tem um foco mais ou menos estanque. Elas atendem aqui e pronto. A minha idéia é um passo adiante: vender soluções e atuar como integrador, que é uma prática habitual no mercado de automação industrial.

O truque é a equipe de desenvolvimento: usar Scrum para dar manutenção em SL, como se essa equipe não fosse da empresa, mas uma equipe da comunidade que, por acaso, podemos direcionar para onde precisarmos. Se, de repente, não há demanda interna para melhorias em um determinado produto, essa equipe pode colaborar implementando as melhorias demandadas pela comunidade.

Há um grande impecilho nisso tudo: a equipe de vendas. Imagine ter especialistas em trocentos assuntos diferentes numa mesma pessoa, capaz de examinar a necessidade do cliente e desenhar uma solução Lego com SL. Provavelmente cada equipe de venda teria um especialista em pares de assuntos (Bancos de Dados e SO, BI e ERP, Workflow e BPM etc.), com um generalista capaz de analisar a demanda do cliente e definir a estratégia de implantação.

A vantagem competitiva viria do fato de essa empresa ser especialista na integração e ser co-autora em todos esses SLs. O preço também precisa ser competitivo, claro, mas com o custo de hardware caindo e a sofisticação dos SLs aumentando, isso não deve ficar caro.

14 de dez. de 2011

Fábrica de Software? Não mesmo!

A revolução industrial trouxe a indústria como nós a conhecemos: uma linha de produção, em geral com algum grau de automação, que produz um determinado item em grandes volumes, e o mais parecidos entre si possível.

Quando a "indústria" de software começou a nascer muitos se debruçaram sobre o processo de construir programas. Depois de algum tempo começaram a perceber que a transposição dos conceitos de engenharia civil (desenhar, planejar, construir) para a informática era muito mais uma idéia bonita do que boa arte de programação.

A compreensão de porque é difícil se projetar software veio aos poucos, mas o destilado de décadas de experimentação na construção de programas de computador pode ser sintetizado em um conceito muito simples: repetibilidade.

É simplesmente impossível desenhar um processo de criação de software, genérico e repetível, que torne o processo completamente previsível e mais, que fabrique itens diferentes um do outro a cada iteração.

O mais fascinante é que tudo isso é óbvio. A fábrica fordiana mais produtiva, azeitada e veloz gasta um bom tempo sendo alterada para produzir cópias de um novo modelo de carro. A linha de produção, a indústria, fabrica itens iguais, xerocados. Inventar um novo item ou aperfeiçoar um antigo é um processo na melhor das hipóteses histórico e na pior totalmente experimental. Não existe fábrica de projetos de, por exemplo, carros ou máquinas de lavar louça. Cada marca tem o seu modo de desenvolver, aprendido a duras penas. Um novato vai precisar cometer muitos erros e ralar muito até dominar um processo criativo.

Como então alguém pode propor uma coisa maluca como uma fábrica de software? Para começo de conversa o propósito de uma fábrica de software é produzir itens novos ou, na melhor das hipóteses, reaproveitar o que já foi desenhado - nunca fazer apenas uma cópia dos itens pré-existentes!

O contra-argumento à essa linha é a indústria da construção civil: cada novo prédio é algo inédito e o mero sucesso de um largo número de projetos indica que é possível, sim, definir um processo dessa complexidade que seja repetível.

Bom, basta observar essa indústria um pouco mais atentamente para notar que ela confirma a regra: o processo de construir um novo prédio é conhecido e repetível. Todos são estruturas calculáveis, definidas e com quantidades de materiais previsíveis. Aliado ao conhecimento histórico sobre produtividade em construção civil, hoje praticamente item de livro-texto de Engenharia Civil, gestão de projetos etc. construir um novo prédio - qualquer um, em qualquer formato! - é uma tarefa domada, não uma tarefa inédita a cada prédio.

Na minha opinião, usar Software Livre pode mudar esse jogo: evite construir cada programa de novo, mas monte coisas complexas com programas simples. Um bom exemplo são as distribuições Linux.