15 de jun. de 2012

Software Livre na Secretaria de Saúde do Pará

Acabo de ler a notícia que a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará construiu uma solução de BI com Pentaho para análise georreferenciada dos dados coletados pelo Ministério da Saúde. Eu fiquei sabendo disso pelo LinkedIn, que divulgou o post no blog do Márcio Vieira, da Ambiente Livre (que é a empresa que treinou esse pessoal.)

Eu comento mais sobre o "BI" desse caso no meu blog dedicado ao assunto, o GeekBI.

11 de jun. de 2012

Azure vai suportar Linux

Notícia de hoje na Globo.com: Microsoft libera suporte ao Linux no Windows Azure.

Eu sempre acreditei que o maior defeito da MS não era os softwares cheios de problemas, até porque não há um sem o outro, nem um processo de desenvolvimento complicado e burocrático (como o MiniMS já mostrou), mas justamente a incapacidade de lidar com a diversidade, com a competição como não-nula.

Se a MS chegou ao ponto de ceder à demanda por Linux em seu serviço de nuvem, uma de duas coisas pode estar acontecendo:
  1. Assim como eles foram obrigados a ceder à Internet, quando acreditavam que o futuro online era como a AOL, eles cederam ao mercado (eu acho que é isso.)
  2. A torcida do MiniMS está fazendo efeito, e a empresa está se reinventando (duvido, ainda tem muito velho vivo por lá.)
Não vejo a MS como uma ameaça de nenhum tipo, pelo menos não enquanto o mundo for livre. Mas se a MS começar mesmo a investir em Linux, ai o bicho vai pegar. Imagine, uma distro Linux MS?? A RedHat e a Canonical tremeriam na base! Seria fantástico! (Se houver licença gratuita, claro. Se tiver que pagar pela distro tanto quanto por um Windows, então esqueça, teremos voltado ao marco zero.)

Pensando bem, isso já aconteceu uma vez: a Apple bifurcou o BSD e criou o iOS. Pelo que eu vi dele, apesar de muito bom e fácil de usar, o Linux autêntico ainda continua mais interessante para quem mexe mesmo com computadores. Para usuários finais, o iOS ainda parece melhor que o Ubuntu 12.04.

28 de mai. de 2012

Menezes Restaurante e Lanchonete Ltda

Na hora de pagar a conta no restaurante, vi uma planilha aberta no terminal. Na mesma hora pensei "como planilha ainda é um o pau-para-toda-obra." O espanto veio na hora que eu resolvi ler o caption da janela: LibreOffice 3!!!

Perguntei na hora para o caixa (que eu suspeito ser ou o dono, ou um dos sócios) quem havia instalado o LO. "Eu," respondeu ele. Porquê? "Ah, para que eu vou pagar licença para a MS, se isso me atende?" (Detalhe: o SO é Windows.)

Esse restaurante fica a duas quadras da Rua 25 de Março, então acesso a licença pirata não é problema. E mesmo sendo um restaurante muito frequentado por gente do Serpro, duvido que os donos tivessem medo de denúncia ou batida da ABES. Pela conversa me pareceu muito mais que ele optou pela comodidade de baixar um software gratuito (além de livre, mas duvido que isso tenha pesado para ele) em comparação a sair, comprar um CD pirata etc. que medo de complicações.

23 de mai. de 2012

Venture Capital para SL

Eu sabia que SL tem sido visto com uma vantagem para empresas de garagem que desejam virar start-ups fundeadas por capitalistas de risco (VC), mas eu acabei de descobrir que existe ao menos uma VC que investe em SL!

A North Bridge VC investe em Software Livre como uma tecnologia game changer, ou seja, disruptiva, com potencial para mudar as regras do jogo, e patrocina uma pesquisa anual sobre a adoção de SL pelas indústrias.

A pesquisa desse ano saiu há pouco, e vale a pena conhecê-la.

24 de abr. de 2012

Saiba Quando Desistir

Pense um pouco sobre como eram os computadores equipados com Windows há 10 anos, e como o Macintosh já era fácil de usar. Aos poucos as pessoas se acostumaram com a esquisitice do Windows, enquanto o Mac se estabeleceu como o verdadeiro user-friendly.

Como toda tecnologia disruptiva, SL não é para qualquer um. Há empresas e empresas - dos mais diversos tamanhos, graus de entropia e defeitos refrativos. Cada uma tem seus próprios processos e suas peculiares facilidades ou dificuldades de mudanças. E por isso toda empresa que tem alguma dificuldade de mudança, tem mais dificuldade de adoção do SL.

Adotar SL implica em passar por mudanças. É preciso rever a forma de se conseguir suporte, de se licenciar software (e de se pagar por ele - livre não é gratuito!!) A forma de implantação pode ser muito diferente do que se está acostumado - ou "muito" igual.

A maioria das empresas, de qualquer ramo, convergem para uma forma mais ou menos comum de tratar as coisas por causa da comparação à concorrência a qual estão continuamente sujeitas. Fornecedores de SL podem ou não estar moldados sob essa mesma pressão, e podem ou não estar na média do setor.

Como cada caso é um caso, a flexibilidade e capacidade de adaptação, a capacidade de entender e usar as vantagens competitivas e de produtividade que SL traz são preponderantes no momento de se avaliar a adoção de um SL.

E por isso é muito importante saber reconhecer que, talvez, essas vantagens não vão te ajudar. Talvez o contorcionismo que sua empresa precisará fazer para adotar um SL seja tão grande que anula tudo que você vai ganhar com ele.

Saiba quando adotar Software Proprietário por limitações da sua empresa, e evite o dissabor de perder uma corrida usando o carro mais moderno e potente. Quem sabe você não teria ganho com um fusquinha?

Afinal, ficar parado não mata. Mata não andar com a manada. Só reze para seu concorrente não conseguir resolver os mesmos problemas antes de você. ;-)

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Atualização:  acabo de ler isso no LinkedIn:
Wardlow: When I've pushed behind new concepts I find it's best to create the buzz, get the word out, and show people the solution exists for the problems which are coming up. Often, people just need a sign pointing them towards the solution. Once they see there's something there, they flock to it (so long as the solution is SMART --> Specific Measurable Achievable Realistic Timely. 
Ele tem uma idéia interessante para quem vive nas empresas que sofrem de dificuldade de inovação por falta de liderança. Leia o restante aqui.

23 de abr. de 2012

10 de abr. de 2012

SPZ2000 Ok no Ubuntu 10.10

Depois de quebrar minha webcam xing-ling de tanto forçar seu ajuste de foco, fiz uma pesquisa rápida na web por webcams da Philips (tenho uma no trabalho que é muito boa.) Achei algumas opções e resolvi procurar nas ruas pela SPZ2000.

Minha única dúvida era: funciona no Linux? O site da Philips não ajudou muito, mas, numa loja onde encontrei a webcam, a vendedora me fisgou com uma proposta irrecusável: se não funcionar, ela devolveria o dinheiro.

Pois muito bem, comprei a câmera, voltei para casa, liguei e - voi-là! - funcionou na hora, de primeira! :-)

Resumo da ópera e dicas:
  • Padrões, quando são seguidos, são bons porque reduzem a chance de problemas. (E isso é uma das coisas da MS que me irrita: padrão, só se for o deles.)
  • Quando comprar produtos para Linux, pergunte se funciona. Se o vendedor tiver interesse em te vender, ele pode arriscar o "se não funcionar, devolvemos seu dinheiro."
  • Se ele não oferecer, peça: se não funcionar, devolve o meu dinheiro? Já deu certo comigo, pode dar certo com você.
  • Poste no fórum do seu SO/SL: vai ajudar quem precisa de referência a ganhar segurança. (Esse é meu post sobre minha máquina.)
Até mais!

2 de abr. de 2012

Terra do Gelo e do Sofware Livre

Quem diria? Dinheiro está se tornando a menor das questões no mercado de Software Livre.

Vejam essa notícia (tradução livre):
Islândia vai usar Software Livre na TI do setor público

As instituições públicas da Islândia começam, neste ano, a mudar para software livre.
(...)
Esse movimento é uma aceleração da política de software livre do governo islandês, publicado inicialmente em 2007.
(...)
Software Livre está se expandindo rapidamente ao redor do mundo, já tendo conquistado o reconhecimento de uma opção realística durante a escolha de soluções de TI," disse o Escritório do Primeiro-Ministro. "É importante que autoridade governamentais apoiem isso e permitam seu contínuo desenvolvimento, já que o uso de software livre pode reduzir as amarras dos negócios, autoridades e o público a certos únicos provedores de serviços, e portanto cultivar maiores opções."
(...)
A Islândia é uma ilha no norte da Europa, com renda per capita de US$40.000,00 e uma área de pouco mais que 100.000 Km2 (quase metade da área do estado de São Paulo) e nem meio milhão de habitantes. Software para tocar o país não seria caro de qualquer forma, mas mesmo assim eles investem em SL porque dá a eles mais liberdade de ação, mais opções.

O Brasil tem uma política muito semelhante, mas ainda não temos uma liderança no país que nos leve nesse sentido. Ainda é maior a questão dos preços - tanto que o TCU é quem mais cobra das empresas do governo que gastem melhor o dinheiro buscando SL quando puderem evitar SP.

Ainda que isso seja melhor que nada, não teremos muitas vantagens como país ao adotar SL enquanto essa adoção partir apenas de razões econômicas. O dinheiro economizado é muito pouco, tanto em montantes absolutos quanto relativos.

O Brasil, que foi um pioneiro nessa área, deveria parar de buscar irmandade em países que mal possuem instituições estáveis e começar a se aproximar de países avançados, que possam trocar experiência e conhecimento conosco, ao invés de apenas nos observar ou receber tudo de mão-beijada. Nada contra compartilhar, nem mesmo contra doar conhecimento, mas nosso objetivo, como nação, deve ser nos ajudar, antes de ajudar outros países - ou a prioridade do nosso governo é o povo de outro país?

Será que tem intercâmbio para Islândia? ;-)

26 de mar. de 2012

Impressionante

Passei um tempo navegando a web em busca de um sentimento da adoção de SL no mundo, para ter o que comparar com o Brasil.

Bom, adotar SL deixou de ser uma questão. Agora existem outras questões - como, quando, para quê, por quê não etc.

Peguem esse link como exemplo: Driving Innovation. É um convite para um webinário sobre como a indústria automotiva está adotando SL. Vou transcrever (e acomodar no Português) um trecho do convite:
O evento vai mostrar:
  • Como e porquê a indústria automotiva está olhando SL como uma fonte de vantagem competitiva.
  • (...)
  • O nível de engajamento das companias automotivas com as comunidades de SL.
A pesquisa que serve de base para o evento é a primeira do tipo, e foi conduzida pela BearingPoint, cientificamente guiada pelo Professor Riehle, chefe do Grupo de Pesquisa em Open Source da Universidade de Erlangen-Nuremberg. Mais de 25 empresas responderam essa pesquisa.

Fala sério! SL é assunto de pesquisa universitária, com consultoria empresarial, no mercado automotivo!? Impressionante!

Sabendo que já existem lugares no mundo que permitem carros auto-navegados, isso se torna ainda mais interessante...

E aí, vai um Open Car? ;-)

19 de mar. de 2012

O Mercado de Trabalho do Software Livre é Social

Há algum tempo eu venho pregando a idéia de usar SL como blocos para construir soluções mais robustas, completas e complexas. No início eu estava inseguro sobre essa idéia - afinal, me parecia que eu era o único a acreditar e falar sobre isso.

Mais tarde eu descobri que uma pessoa realmente importante e que realmente entende do assunto também dizia o mesmo: Michel Tiemann, VP da Red Hat. Tive a imensa satisfação de poder conversar com ele pessoalmente durante o Consegi'09, e lá passei a ter a certeza messiânica de que essa idéia tinha futuro. Mas ainda era uma certeza muito pessoal, muito baseada na minha intuição. A realidade ainda não havia sido posta à prova.

Até que eu me inscrevi no LinkedIn e comecei a acompanhar algumas coisas. E eis que se cristaliza o conceito de Lego de SL em um projeto (com um nome que pode melhorar muito!)

Agora, mais uma vez no LinkedIn, eu sigo uma notícia e descubro que jBoss e eXo Portal foram integrados em um framework chamado GateIn.

Não pude deixar de concluir duas coisas:
  1. Lego Software Livre (LSL): não é mais uma idéia, já é um fato. Se vai dar certo, é a próxima pergunta.
  2. O mercado de trabalho de Software Livre provavelmente vai se fortalecer em portais sociais, como o LinkedIn.
A Era do SL^2?

O primeiro é muito importante: chegamos a um ponto de inflexão, e a partir daqui não há mais volta. A qualidade, complexidade e completude das soluções de SL vão crescer cada vez mais rapidamente. Já não será um crescimento linear ou quadrático, mas exponencial, pois cada novo pedaço de SL vai abrir campo para muitas outras combinações. Cada melhoria em um componente vai causar melhorias nas montagens (a solução Lego Software Livre, por falta de um nome menor ou mais inteligível - por um momento me passou na cabeça SLSL ou SL2.)

Vamos ver como isso vai evoluir. Mas eu escrevi esse post mesmo foi para falar do segundo item, então vamos em frente.

Referências

O segundo é um mero sinal de nossos tempos, esperado, mas não menos importante.

Você quer levar sua empresa de SL adiante? Então viva dentro de sites como LinkedIn, Facebook etc. Não digo que você pode abrir mão deles se sua empresa for, digamos, indústria de autopeças ou fábrica de tecido. Muito pelo contrário. Mas a natureza das empresas que buscam SL como opção é diferente das empresas que seguem os rumos já traçados do mercado clássico, bem como as empresas que fornecem SL são diferentes das que vendem licenças e serviços de SP.

Faça um Gedankenexperiment: coloque-se no lugar de um gerente de departamento de TI, com opção de adotar uma solução SL ou SP. Você já tem proposta de vários fornecedores, já sabe quais produtos te atendem melhor etc. Tudo resolvido. Nesse momento, segundo o Michael Bosworth, você fica com o pé frio. E se tudo der errado? E se nada funcionar? E se isso, e se aquilo?

O que todo mundo faz hoje, quando tem uma dúvida? Googles it.

É nesse momento que os sites de relacionamento profissional pesam: você pode ver a quem seus fornecedores estão ligados e pedir opinião dessas empresas e pessoas. Você pode conhecer os empregados deles, quem saiu, quem entrou, e talvez descobrir alguns porquês. Você pode ver além do terno engomadinho, da bolsa de marca, dos sapatos e perfumes dos vendedores - você pode se conectar à vida deles se eles tiverem essa vida on-line. Quem estiver no mercado virtual formado por esses recursos tem uma clara vantagem sobre quem não estiver. Quem for bom, se destacar no mercado e se expuser, terá corpos e corpos de vantagem sobre qualquer outro mais acanhado. Se você quer se destacar, apareça!

Em um mercado onde raras empresas de SL possuem marcas fortes como uma Impacta, uma 4Linux, ou mesmo a IBM, estar na vitrine das redes sociais vai fazer toda a diferença. Para empresas pequenas e médias, que representam a maioria quando se fala em SL, são esses locais virtuais que vão lastrear suas marcas e dar as suas referências para o mercado.